A graça de ser mulher

Vez por outra, me vem à mente um pensamento: Se eu fosse homem, seria assim... ou assim...!

Que mulher nunca imaginou isso? Não por estar insatisfeita com sua vida, mas pelo simples fato de se imaginar numa perspectiva diferente. Não nego que acho engraçado pensar isso, e acho inclusive que renderia um belo post. Imaginar sim, mas chegar a realmente desejar isso, já acho uma grande bobagem.

Ser mulher tem inúmeras vantagens, além da maternidade, da quantidade de informações que conseguimos processar simultaneamente, e da resistência a dores (físicas e emocionais): numa sociedade tão machista e preconceituosa, podemos nos dar ao luxo de expressar nossos sentimentos com mais espontaneidade, sem medo dos estereótipos. Não falo de firulas e frescuras que se atribuem às "mulherzinhas" (olha o estereótipo), mas de sensibilidade e feminilidade latente. Aquela coisa meio sensorial que emana de nós. Nossa, fui longe agora!!

Não entendeu porque isso é realmente vantajoso no mundo dos resultados concretos? Bem, vejamos um exemplo:

A algum tempo assisti Miss Potter, um filme delicioso, que me emocionou não só por paisagens lindas e um romance, mas pela história real de Beatrix Potter, uma mulher especial, por quem eu me sentiria orgulhosa de imitar, caso tivesse o mesmo dom.

Beatrix nasceu em meados do século XIX, numa família da alta burguesia inglesa. Naquela época, e naquela sociedade, as convenções sociais eram ainda mais rígidas, e era esperado que as moças ricas se dedicassem exclusivamente ao casamento e aos filhos. Aos homens era esperado que, no mínimo, mantivessem seu padrão social e o conforto da família, e que não vacilassem quanto ao seu papel de provedor. O mundo respirava os ares da industrialização. Crescer era preciso, e não havia tempo a se perder.

Enquanto seu irmão era incentivado a cultivar hábitos típicos dos garotos da época (como emoldurar insetos e brincar de banco imobiliário), e que fatalmente o treinavam para ser um "homem", a pequena Miss Potter estava liberada para exercitar seus dons artísticos, porque dificilmente isso atrapalharia seu futuro como mãe e dona de casa. O passatempo preferido da pequena Miss Potter era desenhar animais e paisagens campestres, e criar enredos para suas histórias de uma maneira completamente diferente dos padrões da época. Coelhos, patos e sapos vestidos como pequenos cavalheiros e damas da sociedade, vivendo situações corriqueiras, mas com uma boa dose de fantasia e poesia no ar.


Já moça, Beatrix, embora bem-educada, não se sentia obrigada a satisfazer os anseios dos pais. Negou todos os pretendentes sem remorso, e dedicou-se à arte das gravuras com paixão. O que, a princípio, parecia aos seus pais uma simples distração de uma solteirona que ainda mantinha os hábitos da infância, tornou-se o diferencial de Beatrix quando resolveu publicar suas histórias. Hoje, isso pode parecer muito comum, mas para a época era uma revolução na literatura infantil, e como era de se esperar, os livros de Beatrix Potter tornaram-se sucessos editoriais.

Naquela sociedade recém-industrializada, com os valores do capitalismo e do racionalismo a toda força, expressar sensibilidade e criatividade de uma maneira tão inovadora só poderia ser atribuído a alguém guiado por seus próprios instintos, e não por modismos ou tendências em voga, até porque esta forma de expressão não condizia com os modismos e tendências da época.

A arte de Miss Potter era a expressão da sua feminilidade, que a fez enxergar beleza e lirismo onde outros enxergavam só fauna e flora brutas. As gravuras de Miss Potter eram pura magia para os corações das crianças e adultos. Magia essa que encanta até hoje.

O que quero dizer é que a indiferença machista aos dons "tipicamente femininos" permitiu que Beatrix expressasse seus sentimentos livremente, sem se preocupar com a opinião dos outros. Logo, ser mulher também é vantajoso porque podemos nos expressar como realmente somos, se assim desejarmos, e por enxergarmos com mais facilidade aquilo que precisa de olhos sensíveis para ser visto.

Mais tarde, Miss Potter também se tornou uma das primeiras pessoas na Inglaterra a defender os recursos naturais e as belas paisagens do seu país, em detrimento ao crescimento industrial desenfreado. Mais uma vez sua sensibilidade e seu instinto protetor a ajudaram a perceber o que a ganância conseguiu esconder dos olhos dos homens. Instinto esse não apenas humano, mas principalmente feminino.

Skhizein - Um francês clássico

Esse vídeo me lembrou alguns dos meus sonhos mais surreais, como aquele em que sonhei que era um processo de computador que entrava em deadlock, logo eu não poderia acordar. :-|
Gostei desse especialmente porque o áudio é em francês (muito gostoso de se ouvir), e porque aparece a paisagem de San Michel (um dos lugares que mais gostei de conhecer, e que pretendo revisitar um dia).

Skhizein (Jérémy Clapin,2008) from Bertie on Vimeo.



b.t.w.: Como na maioria das produções francesas, alguém se ferra no final. Com sorte, será sem dor física. A única exceção que vi até hoje foi Amelie Pollain, onde todo mundo se ferra no início, mas tudo acaba bem. Há quem diga que não deixa de ser um francês clássico, só que ao contrário. Já outros dizem que jamais seria um francês clássico, porque o que importa é a somatório das dores, não a ordem dos fatores. C'est La Vie. :-)

fonte: http://vimeo.com/6913172

Um presente, de coração


Adoro dar presentes. Adoro imaginar o que aquela pessoa gostaria de ganhar, o que tocaria seu coração, o que lhe agradaria ou lhe ajudaria de alguma forma, e depois, a expressão que essa pessoa faria quando recebesse aquele presente. É como ler a alma de alguém. Acho até que sinto mais prazer escolhendo um presente do que recebendo um.

Mas há uma pessoa em especial que não precisa dessa minha leitura, e por quem cultivo um hábito a bastante tempo: eu mesma.

Todos os anos, no meu aniversário, me dou um bom presente, daqueles que poucas pessoas me dariam. Comecei esse hábito quando recebi o primeiro dinheiro que consegui por conta própria, e achei que eu merecia esse mimo.

A melhor coisa de você mesmo se presentear é saber que dificilmente haverá erro. A satisfação e a utilidade estão garantidas. É verdade que faz falta o gostinho da surpresa, e aquela coceirinha na mão direita que sempre acontece quando alguém esta escolhendo algo para você. Por outro lado, mimar-se é tão gostoso quanto ser mimado por outra pessoa.

Mas não pensem que estou falando de presentes caros, embora alguns tenham sido realmente. Meus auto-presentes são cuidadosamente escolhidos principalmente para meu coração, não apenas para minha aparência ou meu conforto material. Pensei nisso quando comprei a trilha sonora de um filme que marcou uma das fases mais especiais da minha vida, quando comprei uma roupa que me deixava parecida com minha mãe aos 25 anos, quando paguei uma mega-hidratação nos cabelos que me deixou com cara de garota de comercial de shampoo, quando comprei um estojo incrível de lápis de cor, e até mesmo quando me privei de um presente material, mas me obriguei a rever minhas atitudes e mudar muitas coisas em minha vida.

Pensando bem, preciso corrigir algo que mencionei antes. Eu sempre leio minha alma quando me presenteio, e algumas vezes descubro coisas que nem eu mesma sabia. Por tudo isso, quero me agradecer e me abraçar carinhosamente, porque sei que foi tudo por amor.

Para Lucilo

Para Lucilo, amigo leal, homem simples, coração puro, sorriso largo, coragem e bondade. Se eu dissesse apenas "vaqueiro", ali já teria dito muita, muita coisa, mas tudo é tão pouco diante da sua grandeza.
Quanta saudade!
Todos nós choramos sua falta, grande amigo. Agora você está no céu, ajudando Deus a tocar sua boiada.



Uma das histórias de Lucilo: Papai lhe deu uma camisa nova de presente, e ficou surpreso quando o viu capinando a roça, usando a camisa. E Lucilo disse "É pra amansar a bicha".

Uma Novela da Vida Real

Adoro as novelas de Manoel Carlos por dois motivos: as histórias são bastante densas (embora, algumas vezes, demais da conta até pra noveleiros) e os depoimentos que são exibidos no fim de cada episódio.

E cada depoimento é uma novela à parte: A novela da vida real, sem Helenas excessivamente dadas e gente excessivamente rica, mas com as alegrias e dramas que nos fazem pensar como é possível encontrar a felicidade genuína mesmo (ou principalmente) nas adversidades.

Hoje o depoimento será do Jairo Marques, do blog Assim como Você (http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/), e de quem sou fã de carteirinha plastificada. Jairo, estarei lá, agitando bandeirinha quando você aparecer. Pisca o olho pra mim, viu?


Aqui, todos os depoimentos já exibidos. Um mais especial que o outro: http://especial.viveravida.globo.com/portal-da-superacao/

A Vida e o Luto Brancos


Minha mãe e tios costumavam nos contar que nas suas adolescências, nosso avô era um pai severo e de temperamento difícil. Isso parecia impensável para os netos, que apenas conheciam o avô de fala mansa, de temperamento conciliador e amoroso. Segundo uma das tias mais velhas, foi a minha avó quem mais contribui para essa mudança. Ele a adorava, e tinha por ela amor e admiração imensos, mas ela sabia que isso não era suficiente para apaziguar seu temperamento num momento de irritação. Então, quando alguma coisa o contrariava, e ele explodia, ela apenas esperava esse momento passar, e nada falava. Algum tempo depois, quando ele já havia esquecido o motivo da raiva, ela o chamava, e deitava sua cabeça no seu colo, com o pretexto de lhe fazer um cafuné. Nesse momento, ela conversava sobre o ocorrido, argumentava, e o convencia de que aquela atitude de nada resolveria o problema. Como não amar e admirar uma mulher assim?

Minha avó também fazia questão que os filhos se respeitassem e fossem companheiros uns dos outros. Eu percebo isso até hoje, quando vejo o zelo que minha mãe e tios têm uns com os outros. Meu avô era um homem de visão política e humanista, patriota, preocupado com o bem estar de todos, e defensor da educação. Enchia-se de orgulho sempre que um filho ou neto concluía seus estudos. Ele era nosso exemplo moral a ser seguido.

...

Quando minha avó adoeceu, pediu à família que não vestissem preto após sua morte. Se desejassem vestir o luto, que fosse branco. Depois, chamou cada um dos seus filhos, genros, noras, netos, e marido, e despediu-se. Para cada um deles um conselho, uma lembrança, um carinho. Confortou a todos diante de sua própria morte. E foi-se, serena e imensamente amada.
Nessa época, minha mãe ainda era mocinha, e eu ainda não existia. Não puder ver estes momentos, mas revivia-os como se estivesse lá, sempre que a família os mencionava. O luto branco passou a ser uma tradição na família, embora nunca ninguém tivesse determinado isso. Simplesmente, se necessário, nos vestíamos de branco.

Muitos anos depois, meu avô adoeceu. Já com a idade avançada (89 anos, mas sempre muito lúcido, prático e disposto a dar um conselho e um carinho a todos), nunca deixou que sua saúde frágil interferisse no cotidiano da família, a tal ponto que alguns apenas souberam de sua condição a poucos dias de sua partida. Quando este dia chegou (15 de novembro, aniversário de Proclamação da República), ele foi levado para a sala principal da Casa Grande, no sítio, e foi rodeado por um grupo imenso de filhos, genros, noras, netos e amigos. E foi-se, sereno e imensamente amado.
Este dia eu presenciei. Um grande grupo de nós saiu às pressas da cidade para o sítio, e eu e alguns primos tivemos que pular a janela da sala, para não perdermos seu último olhar. Alguns dos mais jovens, ainda alegres porque estavam no melhor lugar de nossa infância, aos olhos do nosso avô adorado, enfim entenderam o que se passava. A igreja ficou repleta de pessoas de branco.

O tempo continuou passando, a família aumentando (hoje somos quase 150 netos e bisnetos), e todos crescemos nos referindo aos nossos avós como "pai" e "mãe", ou "padrinho João" e "madrinha Moça". Eles foram nossa melhor referencia familiar, o elo mais forte que poderia unir tantas pessoas, dispersas em tantos lugares, e conscientes de uma mesma coisa: somos filhos legítimos do amor, e por isso somos uma família grande, unida, e que se cuida.

A Matemática do Jumento

Reuniões de sertanejos quase sempre são animadíssimas, mas nunca um encontro foi tão instrutivo quanto aquela viagem de carro ao sertão, em que discutimos a lógica matemática de um jumento. Sim, o jumento (ou asno, ou jegue, ou burro), que já serviu tanto aos sertanejos, hoje é trocado por motos, e vaga abandonado pelas rodovias do sertão, aumentando o risco de acidentes. Por isso, é preciso cuidado redobrado quando dirigimos para nossa terrinha.

Por que um jumento numa rodovia é tão perigoso? Ora, vejamos:

Para os demais animais, cuja lógica é mais simples, ou mais determinística, é normal que a orientação seja fugir na direção contrária a um possível perigo. Na cabeça dos demais animais, roda pelo menos uma função injetiva.

Uma função f:A -> B é uma função injetiva se para cada "y" da imagem de f existe um único "x" do domínio A, tal que
f(x) = y.

Mesmo para as galinhas, cujo gráfico da função se assemelha a uma senóide bêbada, ainda é possível traçar uma padrão matemático.


Já o nosso amigo jumento é um bicho completamente aleatório. Na sua cabecinha roda uma função randômica que decide qual orientação tomar em qualquer situação. E como em toda boa função randômica, sabe-se Deus o que vai acontecer. Tudo é possível, desde correr ao encontro do carro, correr em paralelo, em diagonal, em círculos, ou permanecer parado. Ainda é possível permanecer parado no eixo X-Y, e ficar aos pulos no eixo Z, numa demonstração clara de que funções 3D também são possíveis.

Segundo um estudioso no assunto (meu irmão), jumentos só conseguem ter um comportamento determinístico quando estão correndo atrás de uma jumentinha aprumada. Mas, esta ainda mantém suas características não-determinísticas. Logo, por transitividade, dá no mesmo.


Então amigos, se tiverem o prazer de viajar para o nosso amado sertão, e avistarem um jumentinho serelepe no caminho, não percam tempo calculando a probabilidade dele amassar a lataria do seu carro. Ele é muito mais complexo do que você pensa e merece respeito, senão social, pelo menos matemático.

O Eixo


Sentada aqui, depois de ler alguns emails e notícias descartáveis, me veio aquela sensação estranha de que o tempo parara em algum momento, e só eu ainda não havia percebido. Simplesmente o mundo havia parado de girar, e eu continuava alheia, imersa em meu cotidiano, enquanto todos esperavam que eu me desse conta e fizesse o que os demais estavam fazendo: observar ao redor, constatar o quanto a vida é efêmera, o quanto somos idiotas, e o quanto precisamos mudar de vez em quando.

Não sei porque nossa mente nos prega essa peça. Talvez seja cansaço, talvez seja preguiça, ou talvez seja a vontade de parar tudo e reiniciar de outra forma.

Preferi analisar a ultima opção, porque me empolgam os recomeços. Não aqueles recomeços dolorosos e repetitivos, que nos levam ao ponto inicial de uma mesma história, mas aqueles que nos mostram uma nova forma de pensar, de agir e de sentir. Aqueles recomeços que nos fazem pular para fora de um eixo, e nos inserem em outro eixo, em outra perspectiva, em outra vida. Se serão melhores ou piores que os anteriores, quem sabe? O que importa é que ocorram, que nos balancem, que nos modifiquem.
Seja uma guinada, ou uma estocada, o importante é que contribuam para nosso amadurecimento emocional. E se não chegarem a tanto, que pelo menos contribuam para que o eixo não pare de girar.

Amor Perfeito


O que mede o tamanho de um amor?
A sua capacidade para superar dificuldades? A sensação de completude que causa? A certeza de que é perfeito?

E se alguma dificuldade for intransponível, mesmo que isso não resulte numa separação? Um amor que precisa conviver com uma dificuldade constante não se torna mais forte, porque é independente do meio que o cerca?

E se ainda existirem vazios existenciais, ou momentos de isolamento, mesmo que o amor não se ausente? Um amor que não elimina nossos questionamentos internos, mas convive com eles e até nos ajuda a entendê-los, não é mais verdadeiro que qualquer resposta a esses questionamentos?

E se algo abala a certeza de que aquele amor é perfeito? Bem, um amor que só existe mediante a perfeição não é amor, é idealização, é ilusão, é utopia. Um amor deve aceitar imperfeições não como se estas fossem verdades perpétuas, mas como oportunidades para se fortalecer. E um amor que não aceita a possibilidade de crescimento só tem uma direção a seguir: a involução.

Eu não acredito em amores perfeitos, nem desejo um para mim, porque acho que eles são orgulhosos demais para aceitarem a evolução.
Quero amores reais, palpáveis, e até defeituosos, mas que aceitem mudar para melhor, sempre que necessário.

Jesus de Bicicleta

Lá pelas tantas, com nada pra me ocupar, entro numa sala de bate-papo. E eis que vejo "Jesus de Bicicleta" online!!!
É claro que puxei conversa. Eu ia perder a chance de encontrar Jesus?

eu: olá :) Por que não de jet-ski, ou de skate?

Mas ele era meio lentinho, e não entendeu a pergunta.

Jesus de Bicicleta: heim?
Jesus de Bicicleta: tcl de onde?

eu: Recife.
Jesus de Bicicleta: tou em são paulo. vou prai te ve de bicicleta

eu: Ué, você não é onipresente? Então, você já está aqui.

Ele também não entendeu isso, e eu pensei: Onisciência também não é seu forte.

Jesus de Bicicleta: heim?

Cansei e me despedi.

eu: Já vou. Eu ia dizer pra você ficar com Deus, mas isso seria redundante.

Ele também não entendeu, claro.
Mas não gostei de tirar onda de Jesus. Se fosse pelo menos Pilattos de patinete, ou Barrabás de lambreta. Até São Francisco de jumento tava valendo!

Em tempo: a expressão "Jesus de Bicicleta" (e suas variações quanto ao meio de transporte) é usada para exprimir surpresa.

Jesus de bicicleta! Este programa é muito ruim, muito mesmo.
Jesus de monociclo!!! Que coisa bizarra!!!
Jesus de pau-de-arara!!! Que fedor!!!
Jesus de pula-pula! Que mentira deslavada.

Fases


Foi uma criança agitada, questionadora e precoce. Não aceitava os argumentos dos adultos se não lhe parecessem coerentes, e tinha prazer em assustá-los com opiniões mais lógicas do que eles esperavam de uma criança. Também era inventiva e sensível, tão sensível quanto esperavam que uma menina fosse, mas também tão perspicaz quanto não esperavam que uma menina fosse. E foi criticada, porque não cabia às meninas ingênuas essa personalidade. Passou então a achar-se uma criança má, e no fim da infância, retraiu-se.

Foi uma adolescente tímida, medrosa e indecisa. Procurava sempre justificar a opinião dos outros, mesmo que não lhe fossem favoráveis, na esperança de que não fosse repreendida, mas por dentro, queria dar bananas para todos. Tinha consciência de seu corpo, mas não tinha coragem para assumi-lo. E foi criticada, porque não cabia às moças modernas essa personalidade. Passou então a achar-se uma garota frustrada, e no fim da adolescência, soltou-se.

Foi uma adulta sociável, observadora e ansiosa. Permitiu-se enfim apaixonar-se, e quebrar a cara, e sofrer, e tentar novamente. Desenvolveu, ou recuperou, sua opinião e desejos próprios, sem se preocupar em atender às expectativas dos outros, mas muitas vezes flagrou-se fragilizada, chorando por não saber lidar com seus próprios problemas. E foi criticada, porque não cabia às moças independentes essa personalidade. Passou então a achar-se uma moça insegura, e no início da maturidade, reeducou-se.

Agora, quer assumir a MULHER que existe dentro de si, apenas. Sem rótulos, sem críticas, sem concessões, porque descobriu que cabem sim às mulheres de verdade essas personalidades, cada uma a seu tempo, e com suas consequências para nosso crescimento.

A Intensidade da Paz


Como pode a Paz e a Paixão andarem juntas?

A paixão é fogo, é ânsia, é frenesi. A paixão cega nossa mente e desarma nosso corpo. A paixão causa uma guerra dentro dos nossos corações, mesmo que uma guerra adorável. Olhos, mãos, boca, peito, pele, todos disputam energia, e a mente pouco se importa, porque ela também está na competição. Todos juntos, competindo e compartilhando.

Já a paz é calmaria, é segurança, é desapego. A paz ilumina nossa pele e desarma nossa mente. A paz causa uma festa nos nossos corações, uma agitada festa, quase sem barulho e sem movimentos. O corpo sente-se completo e unificado, da mente à pele, e todos os órgãos respiram no mesmo ritmo. Todos juntos, coordenados e independentes.

Paz e Paixão andam juntas quando a primeira deixa-se agitar, mas sem agonia, e a segunda deixa-se acalmar, mas sem medo de morrer. E por conta disso, a Paz torna-se intensa (mas a Paixão não perde sua força). E se você não consegue visualizar o que é a intensidade da Paz, mas gostaria, reserve algum tempo sozinho, e descarte a necessidade de que alguém venha te trazer a Paz (porque ela tem que estar dentro de você), e desarme-se para a Paixão. Quando a Paixão chegar, e encontrar a Paz, seu corpo e sua mente enfim estarão completos, e você saberá o que é o Amor.

Dicas de Felicidade

Algumas frases ilustradas do blog do Ceó (http://frasesilustradas.wordpress.com/)





Paixão


Estou apaixonada! Não exatamente por uma pessoa de carne e osso. Minha paixão é por um sonho, por um estado de espírito, por algo completamente meu. E é meu, porque minha paixão é posse, uma doce posse, que não limita ou agride, apenas admira e cultua, como uma criança encantada com seu bichinho de estimação.
Estou apaixonada pelo que poderia vir a ser realidade, se assim o destino quisesse. E esperando pela decisão do destino, eu sonho mil e uma noites perfeitas. Noites à meia luz, noites de lua cheia, noites de chuva, noites de sono profundo. E dias ensolarados, dias perfumados, dias festivos.
Porque eu amo mesmo é estar apaixonada.

As aparências enganam

Quando conheci Léo* ele trabalhava na biblioteca da universidade, tinha vários percings pelo corpo, cabelos espessos caindo sobre os olhos, roupas sempre pretas e acessórios de metal. Léo também tinha um delicioso humor negro e um gosto musical impróprio para menores. Léo fazia questão de dizer que era mau, muito mau. Mas, para mim, Léo era um doce de pessoa, corretíssimo e incapaz de fazer mal a uma formiga, e ficava indignado quando eu lhe dizia isso.

- Léo, você não me engana. Você é um anjo de candura!
- Eu não sou um anjo, eu sou mau p**r*!! Mau, grummmmmmm!! (mas falava baixinho, para não atrapalhar os leitores da biblioteca)
- Que bonitinho você rosnando!! Mas não me convenceu. Léo, você é o Buda do metal.
- Droga!

Graças a Léo, eu entendo Marilyn Masson, e até me divirto com ele.


Poucas pessoas me causavam tanto medo quanto Nina**. Nina tinha fala macia, os gestos delicados, e uma expressão cândica. Nina não poupava carinho para crianças e velhinhos, e se envolvia emocionalmente com os problemas dos outros como se fossem mais seus do que de outra pessoa. Nina também cultivava uma bela virgindade, como uma vistosa samambaia que decora a entrada de um casarão. Mas, atrás daquela candura toda, eu via muita dissimulação. Mal sabiam as pessoas ao redor que Nina dominava técnicas de sedução que deixavam seus namorados subindo pelas paredes. E ela era fiel a todos, simultaneamente. Nina aprontava horrores, e quase sempre eram as pessoas que as acompanhavam que pagavam o pato. Afinal, quem foi o psicopata que levou aquele anjo para aquele lugar?
Quando Nina finalmente casou, fez questão que seu marido afirmasse em público que ela era imaculada até a lua-de-mel. E eu pensei:
- É muita crueldade! Imagina o que os ex-namorados dela não sofreram para ela chegar até aqui assim?

* Mudei o nome do Léo porque acho uma pena todos saberem que ele não é tão mau.
** Mudei o nome da Nina porque acho um perigo eu saber que ela não é tão boa.

Chegando...


Fonte: http://depositodocalvin.blogspot.com/

Descomplicando


Marla, sempre Marla, textualizando meus pensamentos. E esse caiu perfeitamente para uma fase que eu decidi viver. Não à auto-sabotagem.

"Prometeu a si mesma: Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais: De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.

(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...) "
Marla de Queiroz

Chuvinha Boa

Não sei porque dias de chuva fraquinha me deixam feliz. Parece que o céu está lacrimejando de alegria, calmamente, curtindo a emoção de uma boa notícia recém contada.
O tempo não é frio, ou quente, é apenas confortável. O céu ainda é claro, e o verde das árvores parece mais vivo.

Para dias assim, eu recomendo um perfume suave e agradável, uma roupa colorida, planos para o fim de semana, e um papo descontraído logo no café da manhã.

Sintomas de Leveza

Você sabe o que é leveza?
Não é apenas uma questão de atitude, mas de estado de espírito.

Quando você está leve, não é uma beleza estonteante que se transmite, mas uma beleza discreta e suave, como a das flores naturais. Quem te encontrar pode até não sentir um desejo incontrolável por você, mas vai apreciar sua presença, porque pessoas leves costumam ser agradáveis.
Quando você está leve, as outras pessoas não passam a ter menos ou mais importância para você, apenas são reconhecidas pelo papel exato que desempenharam em sua vida, porque pessoas leves quase sempre são práticas.
Quando você está leve, nenhuma paixão avassaladora é capaz de turvar seus pensamentos, porque pessoas leves sabem que o verdadeiro amor é calmo e seguro, sejam quais forem as dificuldades, e que diversas formas de amar podem ser vividas simultaneamente, sem que a alma se sinta sobrecarregada, e sim gratificada.
Quando você está leve, nenhuma angústia ou frustração causa redemoinhos na suas têmporas, porque pessoas leves conseguem focar na transição dos fatos, e não no peso que elas aparentam.

Quando você está leve, entende que não há fórmulas para estar ou ser leve. Apenas olha para dentro de si, e abre a escotilha das complicações, porque pessoas leves fazem questão de sorrir por dentro. Se os outros percebem esse sorriso por fora, foi por pura distração. As escotilha era larga, e um pouco de alegria também escapou.

Seja leve. Abra a escotilha.

É sorte?


Há gente que morre de rir das encrencas em que me meto (eu inclusive). São tantas histórias hilárias, outras nem tanto, que posso dizer que alguns posts já estão garantidos.
Infelizmente há também as histórias tristes, que também rendem posts, mas que me machucam e fazem meu investimento com cremes ir para o ralo. Perder dinheiro sempre faz as coisas parecerem piores.

Relevar

Conversando com uma amiga esta manhã, ela me lembrou algo que já havíamos concluído, sobre algumas mágoas que pessoas queridas podem nos causar: Releve. É a maior demonstração de amor que você pode dar a esta pessoa.

De fato, relevar é um caminho rápido e calmo, mas apenas se você libera, de fato, seu coração da necessidade de desculpas, de mudança de atitude e do arrependimento da outra parte. Caso contrário, relevar pode se tornar um ato mais doloroso que protestar, porque você guarda a mágoa no seu peito, esperando para descartá-la apenas quando suas necessidades forem atendidas. Enquanto isso, ela cresce como uma erva daninha.

Eu ainda não consigo relevar algumas mágoas, justamente porque partem de pessoas queridas. Embora elas possam ser categorizadas como "releváveis", meu coração não abre mão da mudança de atitude, porque são mágoas recorrentes.

Gostaria de ter uma resposta para este impasse dentro de mim, mas não tenho. Acho que o problema é o amor ser uma via de mão-dupla, e ninguém pode guiar em duas mãos ao mesmo tempo. Também não adianta que o outro lado ande na sua mão se os faróis estiverem apagados.

Minhas impressões

Ontem inaugurei meu Twitter, e animada publiquei 7 frases de uma vez só. Todas breves reflexões que têm passado por minha mente no dia-a-dia. Daí tive medo de que algumas parecessem frases prontas, daquelas feitas para ensinar ou criticar pessoas, e de que isso também acontecesse aqui, neste blog.

Quem sou eu para ensinar coisas a alguém, e muito menos para criticá-las? Se alguém também teve essa impressão, não me leve a mal.

Eu adoro sim analisar pessoas, é quase um hobby, mas sem a intenção de julgá-las ou sugerir mudanças em suas vidas. Eu apenas gosto de imaginar como elas são, e como sentem, e textualizar essa impressão. Adoro atribuir adjetivos a pessoas e situações, mas pela poesia das palavras, não do julgamento. Isso é típico de pessoas que cresceram em pequenas comunidades, onde todo mundo se conhece e se observa constantemente. Por outro lado, não suporto pessoas intrometidas e mexeriqueiras, que pré-julgam ou tripudiam. Isso também acontece a algumas pessoas que cresceram em pequenas comunidades, onde todo mundo se conhece e se observa constantemente.

Resumindo, entendam o que escrevo como uma impressão pessoal do mundo que me cerca, apenas.

Isso foi uma justificativa que ninguém me cobrou, fruto de alguma insegurança exclusivamente minha. Mas já tá passando.

Paixões de Abril

Abril se aproxima do fim, e deixa lembranças de muitas histórias. Histórias de amor profundo, de paixonites agudas, de reflexões e de muita coragem. Nao me refiro apenas às minhas histórias (até porque nao suportaria tantas emoções em um só mês), mas também às histórias de amigos.

À história de alguém que está suspirando de felicidade pelos cantos, e transparece uma beleza feminina típica das mulheres bem amadas. Ela, no seu novo cantinho, e ele, doce invasor, ocupando cada vez mais espaço na sua vida.

E à história de outro alguém, que se permitiu um encontro rápido e certeiro, sem cobranças ou nóias, e descobriu olhos e olhares. Se foi um amor passageiro, ou será algo mais denso, só o destino sabe. Mas valeu pela massagem na alma.

Tambem à história de alguém que está confuso com seus objetivos, seus desejos, seus sentimentos, mas, acredito eu, tem ânsia de viver sem tantos questionamentos. Esse alguém tem procurado um amor redentor, a esmo, mas ainda não percebeu que esse amor não pode vir de fora, mas deve sair de dentro dele. Um amor tão grande que nao cabe no seu próprio corpo.

E finalmente, à história mais linda desse mês. A de uma guerreira forte e imponente, disfarçada no corpo de uma mulher meiga e suave. Uma pessoa que enfrenta seus oponentes com um sorriso contagiante no rosto, e atravessa obstáculos com gargalhadas e muita espiritualidade. Alguém que nasceu para vencer qualquer batalha, porque possui uma qualidade que todos nós deveriamos ter: o amor acima de todas as coisas.
Nada me causa medo quando estou ao lado dessa pessoa, porque ela está cercada de luz por todos os lados.

Pra celebrar tantas histórias, Geraldo Júnior, e sua Paixão de Abril.

Recordações de Saramago

"Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos. Esta frase, brotada da minha cabeça há muitos anos, no fervor de uma das múltiplas conferências e entrevistas a que o meu trabalho de escritor me obrigou, além de me parecer, imediatamente, uma verdade primeira, daquelas que não admitem discussão, reveste-se de um equilíbrio formal, de uma harmonia entre os seus elementos que, pensava eu, contribuiria em muito para uma fácil memorização por parte de ouvintes e leitores. Até onde o meu orgulho vai, e apraz-me declarar que não chega muito longe, envaidecia-me ser o autor da frase, embora, por outro lado, a modéstia, que também não me falta de todo, me sussurrasse de vez em quando ao ouvido que tão certa era ela como afirmar com toda a seriedade que o sol nasce a oriente. Isto é, uma obviedade. "
José Saramago

É óbvio, mas não deixa de ser genial. Uma obviedade única.

Sintomas de PAZ interior

Mais um texto lindo, encontrado no blog do Jorge Brunazi, que eu nem conheco pessoalmente, mas vivo visitando.

Sintomas de PAZ interior

- Tendência a pensar e agir espontaneamente ao invés de baseado no medo e nas experiências do passado;

- Uma habilidade imensa de valorizar e aproveitar cada momento;

- Perda pelo interesse de julgar pessoas;

- Perda pelo interesse de interpretar a ação alheia;

- Perda pelo interesse de participar de conflitos;

- Perda da habilidade de se pré-ocupar;

- Frequentemente dominado por episódios de imensa apreciação;

- Sentimentos de satisfação pela conexão com os outros e com a natureza;

- Frequentes ataques de sorrisos;

- Uma incrível tendência a deixar as coisas acontecerem ao invés de forçá-las a acontecer;

- Uma incrível suscetibilidade ao amor recebido de outros, tanto quanto à incontrolável necessidade de estendê-lo ao próximo.

Já fiz meu checklist. Digamos que meu nível de paz esteja aproximadamente 70%, o que já é muito bom, dado os constantes fatores de stress. C'est la vie.

Vai e volta

Não estou exibindo este vídeo para debater crenças. Tenho a ideologia de que crença não se discute (eu posso até questionar uma religião e seus fundamentos, mas não a crença que as pessoas têm nela).

Estou exibindo este vídeo para que vocês percebam como é intenso o trânsito Brasil-França, mesmo no plano espiritual.

Imaginem se a TAP investisse esse nicho de mercado. As almas reencarnadas fariam uma escala em Portugual, e mais coisas estranhas aconteceriam, como Maria Antonieta (rainha da França), que foi Carlota Joaquina (rainha de Portugual) antes de voltar como Luma de Oliveira (rainha de bateria).

Amor sem restrições

Ultimamente tenho refletido bastante sobre o amor, especificamente o amor entre familiares.

Pra mim, este tipo de amor deveria se enquadrar na categoria "Sem restrições de uso". Aliás, toda forma de amar deveria se enquadrar nesta categoria, mas o que vejo na realidade é que sempre há "poréns" para que expressemos nossos sentimentos.

O texto abaixo foi retirado de um blog português que vejo regularmente. Um bom momento de reflexão para todos.

“O amor e a compaixão são necessidades e não um luxo. Sem elas, a humanidade não consegue sobreviver.”
Dalai Lama

Seja o Natal, um aniversário, o dia do pai ou da mãe, são muitas as ocasiões em que nos desdobramos para encontrar aquele presente perfeito para alguém que nos é muito próximo e muito querido. Porém, algumas das melhores prendas que podemos oferecer a quem mais amamos não se compram em lojas e, embora não possam ser embrulhadas e rasgadas com antecipação, podem ser, a longo prazo, prendas muito mais valiosas para quem as recebe.

A sua presença. Isto significa que passar tempo com as pessoas que ama deve ser uma prioridade e, se essas pessoas forem realmente importantes, encontrará tempo para elas. Pode ter de ajustar algumas coisas na sua vida, mas valerá a pena. No entanto, mais do que encontrar o tempo para estar com essas pessoas, é saber realmente estar com elas – o que significa que, estando na sua companhia, deve viver o momento em vez de estar a pensar no trabalho e de estar constantemente a verificar o telemóvel para ver se tem chamadas ou mensagens ou ainda a fazer outras tarefas. Em vez disso, deve deixar tudo de parte e concentrar-se no tempo que reservou para estar com esses familiares e/ou amigos – ouça-os, divirtam-se, esteja presente.


O seu amor. Esta prenda é, talvez, a mais óbvia da lista, mas também é demasiada importante para não merecer ser realçada. É crucial que diga às pessoas que ama… que os ama! Regularmente. É igualmente importante que demonstre esse amor, através das suas acções e gestos diários – abraços, beijos, sorrisos, momentos íntimos, dedicar-lhe um mimo especial, estar atento às suas necessidades e sentimentos… são pequenas coisas que têm um enorme significado.

A sua compaixão. Qual é a diferença entre a compaixão e o amor? É possível amar uma pessoa e não mostrar-lhe compaixão. Por exemplo, os pais conseguem amar e disciplinar os seus filhos em simultâneo, apesar de a compaixão ser, muitas vezes, mais importante do que a disciplina. Compaixão é ter empatia para com a pessoa amada, é tentar ver as coisas através dos seus olhos, é tentar compreender as dificuldades ou momentos mais difíceis que estão a viver… e depois, fazer o seu melhor para ser carinhoso, para ajudá-los a ultrapassar os obstáculos e voltarem a ser felizes.

Uma voz. Podemos dar tanto a uma pessoa simplesmente ao dedicar-lhe a nossa atenção, ao ouvi-la, ao mostrar que estamos realmente interessados naquilo que ela tem para dizer, porque é importante e respeita-o. Quantas vezes o nosso marido/mulher ou filhos não falam connosco só para receberem como resposta um aceno de cabeça pouco interessado ou um comentário que desvaloriza as suas palavras. Se der a essa pessoa uma voz, mostrando-lhe que as suas palavras têm valor e são importantes para si enquanto ouvinte, terá um impacto muito profundo nas suas vidas.

Um estilo de vida saudável. Quando passar tempo com as pessoas que ama, procure fazê-lo com actividades divertidas e saudáveis: uma caminhada, uma partida de ténis, jogging, jardinagem, passear o cão, etc. Quando comerem juntos, façam uma refeição deliciosamente saudável. Incorpore hábitos salutares no seu estilo de vida e motive as pessoas que ama a fazer o mesmo – pode salvar-lhes a vida.

Acreditar na pessoa amada. Simplesmente acreditar noutra pessoa e mostrar-lhe isso através das suas palavras e gestos, pode fazer uma enorme diferença. Estudos sobre pessoas que foram criadas em lares disfuncionais, mas que se tornaram adultos felizes e bem-sucedidos, mostram que todas elas tinham nas suas vidas um adulto especial que acreditava nelas. Faça isto não só pelas crianças na sua vida, mas também pelos adultos – apoie os seus sonhos, paixões e passatempos, ajude e motive-os, seja o seu maior fã. Independentemente de concretizarem ou não esses sonhos, o facto que alguém – você – acreditou neles é, de longe, o mais importante.

Texto: http://estadozen.com/artigos/as-6-melhores-prendas-que-podemos-dar-quem-amamos
Imagem: http://www.flickr.com/photos/julianagoes/3072822290/

Aí tem coisa...

Há algo estranho no ar!
Todos os desenhos animados que assisti hoje de manhã (e não foram poucos) abordavam direta ou indiretamente astronomia, viajens galáticas, astrologia e superstiçoes.
Também alguns dos portais de notícias que visitei hoje tinham algum link sobre o assunto, inclusive um quiz sobre astronomia.

Pesquisei no Google, mas nao encontrei algo que justifique tanta sincronia, se é isso mesmo que está acontecendo. Será algum importante movimento planetário, como a Volta de Saturno, que mais uma vez me pegou de surpresa? Será um teaser de 21/12/2012?

Medo. Da última vez que fui pega de surpresa pelos movimentos planetários, quase me acabo de susto.

O lado ruim da coisa boa

Para algumas pessoas, início de namoro é como uma entrega desconfiada.
É como se um estranho se aproximasse de você, te tocasse, invadisse teu espaço, tua rotina. E você curte tudo isso, mas ao mesmo tempo você se arma contra esse invasor, pronta para atacá-lo caso ele ouse destruir sua fortaleza. Para algumas pessoas, início de namoro é como um Cavalo de Tróia.

Não quero dizer que isso seja de todo ruim, porque para mim, início de namoro também é jogo de sedução. Mas nem sempre esse jogo surte o efeito desejado se uma das partes leva a importância do seu espaço muito a sério, e cria barreiras para a sua aproximação, como se entregar-se a alguém fosse um fardo insuportável, que vai extinguir seu direito de ir e vir.

Se for pra jogar, eu prefiro outras modalidades, não essa.

Namoro bom é namoro a dois, onde você abre espaço na sua agenda e deseja que o outro esteja lá, ocupando seu tempo, bagunçando suas idéias, e calibrando a máquina. Às vezes não te sobra tempo na agenda, mas isso não impede que você deseje a presença do outro, e demonstre isso. E é incrível como o tempo livre sempre aparece. Aceitar a presença do outro em sua vida não significa formalizar uma união estável ou declarar um amor platônico, significa apenas que duas pessoas podem estar se divertindo. Se não pode ser tão simples, então simplifique, e siga seu caminho.

A individualidade é importante para nos conhecermos, mas algumas vezes é a partilha que nos mostra o melhor que há dentro de nós.

Quem é você? Quem sou eu?

Como é o seu visual? Discreto, sexy, cult?
E a forma como você se comunica? Discreta, sexy, cult?
E seu perfil profissional? Discreto....?

Resumindo, se eu perguntar com qual rótulo você se identifica, você vai pensar por alguns segundos e responder: Ahh, depende!!
Depende da situação, depende da outra pessoa, do seu estado de ânimo, da estação do ano, e por aí vai.

Mas, e se alguém te desafiar a não seguir rótulos? A parar de tentar imitar a garota da revista, de tentar seduzir alguém com um visual ou um comportamento que não é seu, de controlar seus impulsos para não ser inadequada, e tudo o mais que fazemos porque representa o estilo que queremos adotar.
Difícil, né? Começa pela tarefa de identificar aquilo que fazemos por convenção do que fazemos por natureza.
Eu mesma não sei dizer se dou bom dia no elevador porque gosto que sorriam pra mim de manhã, ou porque quero que me achem educada.

Daí, resolvi fazer esse exercício mental, e me imaginar alheia a todas as convenções que os rótulos nos impõem, como uma pessoa que cresceu isolada da civilização, mas com o cabelo desembaraçado e noções básicas de higiene.
Imediatamente me imaginei a pessoa mais desinteressante do mundo. E é claro que eu deveria ser desinteressante! Estamos acostumados a adorar ou repudiar esteriótipos, mesmo que eles se tornem secundários com o tempo. É o sexy-appeal de alguém, é o sucesso de outro, a moda, ....

Gostaria muito de me interessar por pessoas apenas pelo que elas me acrescentam de bom, independente do rótulo que elas seguem, e me mostrar exatamente como sou, sem medo de decepcionar pela expectativa criada. E adoraria que fizessem o mesmo ao meu respeito.
Difícil, né? Como eu já disse, começa pela tarefa de identificar aquilo que nos agrada por convenção do que nos agrada por nossa própria natureza.

Imagem: http://www.flickr.com/photos/fre_natae/

Mães e filhos... e madrinhas

Sou madrinha de batismo de duas doces mocinhas e um garoto serelepe, e posso afirmar que é verdade quando dizem que madrinha é a segunda mãe.
Eu me preocupo, me encanto, faço planos e observo atentamente cada um deles, mas o que me faz "segunda mãe" é esse amor doido que tenho por eles, assim, de graça. Só lamento não ter tempo para dar mais atenção a meus afilhados. Sou uma segunda mãe amorosa, porém relapsa.

E sabem o que me deixa completamente boba? É quando alguém me diz que meus afilhados têm algum traço meu. As mães (comadres) fazem questão de reforçar as boas qualidades que seus filhos supostamente herdaram de mim. Se há defeitos, alguém está escondendo-os muito bem (as mães, as crianças, ou eu). Lá no sertão, dizem que isso é a "bênção da madrinha", que por sinal é a única coisa que anula praga de mãe, e uma das melhores formas de remover uma verruga. Adoro essas regras que as crendices populares criam.

Mas há também o outro lado da moeda, como quando uma das minhas afilhadas (de 12 anos) me repreendeu por não ter mais iniciativa com os rapazes. Me chamou de mole!!!!! E a mãe dela, como que querendo reforçar o sermão da filha, me disse toda orgulhosa:
- Ela já deu uns beijinhos num coleguinha. Pelo jeito não puxou a você.

Fiquei chocada. Pensei até que ia ficar de castigo.

101!!!

Gente do céu, minha lista de postagens publicadas já está com 101 posts!!!!!! Tô besta.

Nem eu sabia que escrevia tanto. Em outros tempos isso seria um indício de que preciso me ocupar de outras coisas, mas escrever aqui é uma das minhas atividades preferidas, e jamais seria sinônimo de tempo perdido para mim. Eu não escrevo por necessidade (embora me faça um bem imenso) ou por compromisso, mas por puro e descomunal prazer, mesmo quando estou down. O Munizices é minha terapia gratuita, e vocês são meus amigos terapeutas, que não me cobram a consulta (ops...)

Eu queria ter preparado algo para este momento, mas fui pega de surpresa. Sei lá, uns docinhos, uma decoração especial, um pequeno discurso de agradecimento. Por favor, não liguem a bagunça.

Tudo que posso oferecer agora é uma daquelas indicações malucas para curtir algum momento em especial. Então eu recomendo um fim de tarde na praia, ou em uma bela praça arborizada, cabelos recém lavados e chinelos de dedo, porque é assim que me sinto quando venho aqui.

E pra finalizar, uma daquelas músicas especiais, para pessoas especiais, como vocês: Can I Walk with You, de India Arie

P.S.: Infelizmente o youtube não permite mais incorporar este vídeo, por isso estou colocando só o link (http://www.youtube.com/watch?v=-IdedKhYqf0). Mas não deixem de vê-lo.

Pense...

Vi essa tirinha do Allan Sieber, e gostei. Se você não concorda com tudo, pelo menos pense no assunto.

Elephant Gun

A minha música do momento é Elephant Gun (tema de Capitu, na minissérie global de mesmo nome), da banda norte-americana Beirut. Segundo o blog Great DJ, "o som produzido pelo grupo é basicamente feito de violão, com batidas regulares e elementos de sopro para finalizar. A banda é simples por conta do folk, mas com arranjos complicados de violão, mas devido os seus nove integrantes e instrumentos nunca antes vistos, sai um som todo peculiar da banda".

Já comentei com alguns amigos que Elephant Gun é agitada e envolvente, como uma paixão rebelde, daquelas que te assanham os cabelos, mas sem arrancá-los.

Para ouvi-la, eu recomendo roupas de tecido molenga, um bom perfume, e uma deliciosa xícara de café com creme.


Um Ceia de Saber

Mais uma vez, Saramago:

"... Nestes dias em que se celebra o nascimento do Cristo, outra ideia me acudiu, talvez mais provocadora ainda, direi mesmo que revolucionária, e que em pouquíssimas palavras se enuncia. Ei-las.

Se é verdade que Jesus, na última ceia, disse aos discípulos, referindo-se ao pão e ao vinho que estavam sobre a mesa: “Este é o meu corpo, este é o meu sangue”, então não será ilegítimo concluir que as inumeráveis ceias, as pantugruélicas comezainas, as empaturradelas homéricas com que milhões e milhões de estômagos têm de haver-se para iludir os perigos de uma congestão fatal, não serão mais que a multitudinária cópia, ao mesmo tempo efectiva e simbólica, da última ceia: os crentes alimentam-se do seu deus, devoram-no, digerem-no, eliminam-no, até ao próximo natal, até à próxima ceia, ao ritual de uma fome material e mística sempre insatisfeita.

A ver agora que dizem os teólogos."

Só me resta tomar um antiácido para as falsas crenças.

A pior crise

"Crise financeira, crise económica, crise política, crise religiosa, crise ambiental, crise energética, se não as enumerei a todas, creio ter enunciado as principais. Faltou uma, principalíssima em minha opinião. Refiro-me à crise moral que arrasa o mundo e dela me permitirei dar alguns exemplos.

Crise moral é a que está padecendo o governo israelita, doutra maneira não seria possível entender a crueldade do seu procedimento em Gaza, crise moral é a que vem infectando as mentes dos governantes ucranianos e russos condenando, sem remorsos, meio continente a morrer de frio, crise moral é a da União Europeia, incapaz de elaborar e pôr em acção uma política externa coerente e fiel a uns quantos princípios éticos básicos, crise moral é a que sofrem as pessoas que se aproveitaram dos benefícios corruptores de um capitalismo delinquente e agora se queixam de um desastre que deveriam ter previsto.

São apenas alguns exemplos. Sei muito bem que falar de moral e moralidade nos tempos que correm é prestar-se à irrisão dos cínicos, dos oportunistas e dos simplesmente espertos. Mas o que disse está dito, certo de que estas palavras algum fundamento hão-de ter. Meta cada um a mão na consciência e diga o que lá encontrou."

por José Saramago

Amar é...

comentei aqui que a Marla de Queiroz consegue verbalizar muito do que sinto, porque escreve com intensidade e leveza ao mesmo tempo, e porque transborda todos seus sentimentos com facilidade. Hoje li mais um de seus textos, e mais uma vez encontrei, segundo suas próprias palavras, algo que "representa o tipo de relação que estou disposta a viver".

E me detendo a alguns trechos espaçados, pensei muito no que eu considero um amor sincero. Não me refiro apenas ao amor entre um homem e uma mulher, mas também ao amor entre pais e filhos, irmãos, e amigos.

"... Amar você é descobrir que alguns mergulhos são desnecessários, que algumas coisas existem para se conhecer só na superfície, dispensando dicionários, porque elas são simplesmente aquela estrada rasa feita pra se caminhar por cima e a esmo."

"... É poder ouvir exatamente o que foi dito sem procurar uma mensagem oculta, uma palavra mágica dissolvida no contexto ou outros indícios. É respeitar tuas vontades, tua inconstância, tuas dificuldades. É saber que uma meia-verdade pode ser a verdade mais sincera de cada um..."

"... É não deixar que nada corrompa nossas essências, porque nos queremos melhorar para o mundo, porque queremos embelezar nosso universo, porque queremos ser além das aparências."

"... É falar de amor usando a metáfora mais inocente. É também experimentar a simplicidade com que tudo pode ser vivido, até àquela hora em que o desejo dorme..."

Porque quando amamos com sinceridade dispensamos aquelas complicações que algumas pessoas fazem para transparecer algo maior do que realmente é, ou diminuir aquilo que nos preenche tanto, querendo negar a sua importância. Quando amamos, acho eu, simplificamos, não para os outros, mas para nós mesmos.

"... É saber que cada passo que dou será na direção que escolhi e que só terei o conforto da sua companhia se, por acaso, quiser seguir o mesmo rumo."

"... Amar você é amar aquilo que, de outra forma, jamais faria sentido: é abraçar teu passado, teus traumas, teus vazios, tuas confusões e angústias existenciais como quem abraça a um amigo. É agradecer profundamente, ao acordar, por esta pessoa inteira, que jamais será uma metade e que me escolheu para a soma, e que com todas as alternativas que teve, preferiu seguir comigo."

Finalmente, porque um amor sincero aceita o aceitável, discute o discutível, pondera o ponderável, e não se abala com isso. Não há condições, apenas escolhas. Um amor sincero não vê obstáculos para estar ao lado de quem ama. Se é bem vindo, simplesmente fica, e não se sente intruso.

A partir daí, não é preciso mais teorizar, metaforizar, elocubrar. Apenas amar.

Eu recomendo que leiam esse texto tantas vezes quanto necessário, apenas mentalizando um amor diferente: de um(a) namorado(a), de um irmão, pai, mãe, filho ou amigo.
O texto completo está aqui.

Mensagem para Você

Olá, você está aí?
Estava esperando você chegar. Já faz tempo que nos comunicamos, e eu ainda não havia dirigido uma palavra, escrita ou falada, para você.
É verdade, nos comunicamos apenas em pensamento. Um pouco solitária essa forma de contato, mas tão envolvente quanto um "olho-no-olho".

Lembra quando bateram no meu carro, e chorei compulsivamente pela atitude egoísta do motorista? Eu senti que você se preocupou comigo naquela noite.
E da minha última desilusão amorosa? Achei que você estava angustiado por não poder me amparar. Quase sinto a sua mão no meu ombro.
E quando passei três dias visitando minhas tias, rindo dia e noite? Também senti que você estranhou tanta alegria, e ficou levemente irritado. Seria inveja das nossas gargalhadas?

Do meu lado, lembro que algumas vezes senti um aperto no coração, e achei que você estava em apuros, querendo desabafar com alguém.
E quando senti uma leve insegurança, e ao mesmo tempo felicidade, porque achei que você estava apaixonado por alguém? Tive medo de nosso elo se romper, e você não ter mais pensamentos para mim.

Poxa, nem sei se você é amigo ou amiga, solidário ou curioso, real ou apenas um desejo da minha mente desocupada. Mas adoro imaginar que você esta aí, seja lá onde for, para me mandar aquela energia boa quando preciso, e para receber de mim aquilo que eu posso dar de melhor a alguém: minha sincera amizade.

E se nossa afinidade é assim justamente porque nos conhecemos apenas em nossa imaginação, que assim o seja, porque a realidade não é necessária quando o coração está no comando. Não há forma, cheiro ou voz conhecida. Há apenas sintonia.

Qualquer semelhança não é mera coincidência

Quem acha que pessoas do mesmo sangue nem sempre são parecidas, talvez precise olhar com mais atenção, como eu. Não me refiro apenas aos traços físicos, mas principalmente aos cacoetes e trejeitos, típicos de quem conviveu e assimilou características de outras pessoas. As semelhanças são tantas que, às vezes, idéias completamente contrárias, ditas praticamente da mesma forma, confundem o interlocutor a ponto de parecerem praticamente a mesma idéia. É a nossa herança familiar, que vai além da genética.

Há algumas semanas recebi a visita de três tios, irmãos do meu pai. Até então eu não havia me dado conta de tantas semelhanças entre eles. Me diverti bastante, em silêncio, maravilhada com os pequenos detalhes. Eles, meu pai, e os demais tios são o retrato do meu avô, que junto com meus tios-avós, devem ter assimilado os trejeitos de meus bisavós, assim como eu, meus irmãos e primos assimilamos os trejeitos de nossos pais e tios. Até o filhinho adotado da minha tia já tem semelhanças quase físicas com a nossa família.

Tão gostoso que, no meio de uma conversa super séria entre eles, eu fiquei completamente alheia ao assunto, e só observei as suas formas de falar, as expressões. Não consegui disfarçar um sorriso no rosto, enquanto eles declamavam um rosário de doenças pelas quais alguém estava padecendo. Vez por outra , meu tio me olhava com o canto do olho, provavelmente estranhando a expressão do meu rosto. Tudo culminou quando alguém disse "Vai morrer, vai morrer!!", bateu as palmas das mãos no ar e olhou para o chão, balançando a cabeça. Adorei. Essa é a maneira que família tem de sentenciar alguém à morte. Isso deve estar nos genes.

Sorte de Hoje

Sorte de hoje no Orkut: Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais.

Como assim? E como fica meu instinto de competição?
Se bem que, com esse meu dedo podre, não dou 1 semana pra eu descobrir que já sou comprometida.